Judit Reigl
comments 2

Saída

Carlos Emerson Jr.

José Saramago, o grande escritor português, uma vez afirmou que “nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”. Que ela não é fácil isso não se discute, mas a maneira como a vivemos, as expectativas que criamos, decepções com sonhos não realizados, amores não correspondidos e a inexorável jornada para a morte são mais do que suficientes para gerar frustrações e ressentimentos.

Durante nossa breve existência temos que conviver com a disputa pelo poder, o consumismo desenfreado, preconceitos, ódio e o mais importante, nossa própria ignorância! É claro que somos recompensados com amores, amizades, esperança e curiosidade, mas a grande dificuldade sempre foi e será o que fazer com a vida que recebemos.

Aliás, Saramago foi além e didaticamente ensinou que “a vida é breve, mas cabe nela muito mais do que somos capazes de viver”. Sabedoria de quem soube viver, é claro. A grande maioria de nós não percebe o grande vazio em suas vidas. Não entendem as nuances, ignoram os detalhes, esquecem o tempo e valorizam sobremodo o medo. O resultado é que as fronteiras se fecham cada vez mais.

Como disse Clarice Lispector, viver é se “render, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”.

Tela: Judit Reigl (Budapest Art Fair 2010)

guanabara-1389302195720_956x500
comments 3

Vergonha, vergonha, vergonha

Renato Mauricio Prado
(O Globo)

O que é pior? Ouvir do Governo do Estado que vai apenas “enxugar gelo na baía de Guanabara” (leia-se, somente retirar o lixo flutuante, na ocasião das provas olímpicas de iatismo), da Presidência da República, que os aeroportos brasileiros, do jeito que estão, “dão de sobra para a Copa”, ou do Presidente da Infraero, que as obras serão “tapeadas” durante o Mundial? E ainda tem gente que acredita em legado. Em termos de cultura brasileira, isso é algo como o Curupira, o Boitatá e a Mula Sem Cabeça.

rsz_mark_seliger-chuck_berry.redimensionado
comments 2

Chuck Berry

Não tem prá mais ninguém, Chuck Berry ainda é o maior roqueiro do mundo. Nascido em Saint Louis, Missouri, em 18 de outubro de 1926, é apontado por muitos como o inventor do rock and roll. Apesar de ninguém poder garantir que criou o rock sozinho, já que o estilo é produto de um contexto do pós-guerra nos EUA e da mistura de blues, country, música gospel e folk que era feita por vários músicos durante a época, Chuck Berry é considerado um dos pioneiros do estilo justamente por ter feito a mistura funcionar.

A maioria de suas gravações mais famosas foram lançadas pela Chess Records, com o pianista Johnnie Johnson, o baixista Willie Dixon e o baterista Fred Below. Juntamente com Chuck Berry, eles se tornaram o sumário de uma banda de rock. Como exemplo de sua influência profunda, podemos lembrar das bandas inglesas, The Beatles, Animals, Rolling Stones, entre outros. Os Rolling Stones literalmente basearam seu estilo de tocar rock ‘n’ roll no dele. Quando Keith Richards premiou Berry no Hall da Fama, disse: “É difícil pra mim apresentar Chuck Berry, porque eu copiei todos os acordes que ele já tocou!” (Wikipédia)

Foi eleito pela revista Rolling Stone o 5º maior artista da música de todos os tempos e considerado o sétimo melhor guitarrista do mundo pela mesma revista. Está em plena atividade até hoje! Aliás, não deixe de conferir sua home page.

Foto: Mark Seliger

fimdepraia
comment 1

Fim da praia

Pois é, o sábado foi muito bom, a praia estava ótima (típica de outono no Rio, mar calmo e tépido e a temperatura hoje não passou dos 29º) mas, como tudo que é bom, o dia terminou. Não faz mal, amanhã tem mais.

E para quem pensa que eu só tiro fotos da Praia de Copacabana, esta aí foi feita no Posto 8 da Praia da Barra da Tijuca. Um bom domingo, amigos!

ncawve3bwsejvokfhtiim2kp
comentário 0

Prefeito, pede prá sair!

Pois é, deixaram as raposas tomando conta do galinheiro, a situação desandou e não restou outra saída ao Comitê Olimpico Internacional a não ser intervir para tentar (vejam bem, tentar!) garantir os Jogos Olímpicos de 2016 na Cidade Maravilhosa. Já nem digo que é um vexame porque todo mundo sabia que isso ia acontecer. Recebemos um atestado de incompetentes ou coisa pior, merecidamente…

Leia mais sobre o assunto no Estadão.

Jornal do Brasil
(País – Opinião)

Se o prefeito Eduardo Paes concorda com a decisão do COI, deveria vir a público explicar a renúncia de sua indicação, Maria Silvia Bastos, de tão importante função que era para as Olimpíadas.

O que se espera é a explicação para a fartura de gastos de dinheiro, promovida inclusive por Eike Batista – que o que se vê hoje era dinheiro do Estado – da qual participaram pobres empresários (pobres no sentido de ignorantes nesse assunto), fazendo caixa para, com lobby fantástico, conseguir derrotar cidades com Madri, que estava pronta para a Olimpíada.

O que se espera é que esta conquista não tenha sido para enfeitar o pavão da reeleição, continuar enganando o povo que não tem remédios em hospitais nem professores nas escolas públicas, fazendo realmente a política de Cesar antes de incendiar Roma: pão e circo.

É pena que o empresário Gerdau tenha feito a declaração que fez e que nenhum homem público tenha tido a coragem de repreendê-lo.

>> “Povo deveria se rebelar”, afirma Gerdau durante fórum no RS.

Pudera, é momento de eleição. Será que Gerdau é o comandante dos black blocs? Ou será que Gerdau e os black blocs têm razão?

cidadesdeficientes
comments 4

Cidades deficientes

Carlos Emerson Jr.

Você sai de casa para trabalhar ou resolver algum problema no centro da cidade. Na primeira esquina dá de cara com um automóvel estacionado em cima da calçada e precisa desviar pelo meio da rua, junto do tráfego. Mais à frente evita um bueiro com a tampa quebrada, contorna alguns postes mal instalados e tenta caminhar em calçadas sem a menor conservação.

Já em seu destino, descobre que como o velho prédio não possui elevador, terá que encarar uma enorme escadaria. Acaba desistindo e resolve voltar para casa de ônibus. Ao embarcar, mais problemas: a entrada do coletivo é muito distante do solo, a roleta fica em um curral estreito e os balaústres são tão altos que mal consegue se segurar.

Pois é, não estou falando de nenhuma prova olímpica ou algum tipo de rali urbano, isso é apenas o seu cotidiano. Agora, imagine que você é um deficiente visual, cadeirante ou apenas um idoso e tente refazer todo o trajeto acima. Quase impossível, não é mesmo?

Infelizmente esse quadro tenebroso se repete em quase todas as cidades brasileiras, apesar da lei 10.098, assinada em 19 de dezembro de 2000 e do decreto 5.296, de 02 de dezembro de 2004, que estabelecem normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

No Brasil, de acordo com o Censo 2010 do IBGE, 45.623.910 pessoas (23,9%) tem alguma dificuldade de locomoção e as previsões para o futuro são que esse número aumente ainda mais. É sempre bom ter em mente que todos nós envelhecemos, adoecemos ou podemos sofrer algum tipo de acidente, engrossando ainda mais esta essa estatística.

Mas o que podemos fazer para melhorar as condições de acessibilidade em nossas cidades? Para começar, vamos conhecer e cumprir a lei. Em segundo, bom senso e educação. Sabem o que mais incomoda um deficiente visual? Lixo e entulhos jogados nas calçadas, que se transformam em uma armadilha. E isso, meus caros, podemos muito bem evitar, simplesmente respeitando os horários de recolhimento.

Apesar de serem obrigatórias, as rampas nas calçadas só são implantadas nas esquinas, nem sempre com o tamanho ou a inclinação adequada. Para os deficientes visuais então os obstáculos são muito maiores, principalmente orelhões, correntes e degraus. E tem mais, só mesmo com a boa vontade e desprendimento de um cidadão é possível atravessar uma rua em segurança.

sinalização

Em algumas cidades brasileiras os semáforos tem um aviso sonoro para pedestres, avisando quando está fechado. Outras estão implantando as faixas guias, uma espécie de trilha com gomos altos, feitos em material resistente, indicando o início e o fim de uma calçada, uma saída para um sinal de trânsito ou uma parada de ônibus, dependendo de seu tamanho e formato. E nem falei das informações em braile em locais públicos, uma exigência muito pouco cumprida da legislação citada.

Uma pena que são iniciativas isoladas de comunidades mais esclarecidas. O mais comum são as festas que algumas prefeituras têm a cara de pau de organizar quando suas concessionárias de ônibus compram alguns veículos com acesso para deficientes, escondendo convenientemente da população que, desde 2008, a lei prevê que todos os coletivos em uso tem que ter essa acessibilidade. Ah, a política…

Enfim, a lista é enorme e o assunto está longe de se esgotar. Quem tem ou convive com parentes e amigos que sofrem de algum tipo de deficiência física, conhece muito melhor do que eu todas as dificuldades para se locomover no dia a dia. É importante lembrar que, deficientes ou não, temos os mesmos direitos garantidos pela Constituição Federal, votamos, pagamos nossos impostos e, acima de tudo, somos seres humanos.

O que quero dizer é que as cidades tem a obrigação de oferecer condições para que todos os seus habitantes possam viver sem discriminação, com segurança e qualidade de vida. Decididamente os tempos e as pessoas mudaram e se uma cidade não se adaptar às necessidades de seus cidadãos, será inevitavelmente marcada como deficiente. Além de perder de vez o caminho para o futuro.

(A Voz da Serra, Nova Friburgo, 2012)

edificioypiranga
comments 3

Edifício Ypiranga

Foi aqui, nesse edifício da Avenida Atlântica, que o arquiteto Oscar Niemeyer manteve seu escritório, no 11º andar, de frente para o mar, por mais de 50 anos. Aliás, era a única unidade comercial em um prédio residencial de desenho arrojado, completamente diferente dos seus vizinhos.Ao contrário do que se acredita, foi projetado pelo arquiteto Mario Freire e construido pela Freire & Sodré, em 1935.

O prédio é um dos marcos arquitetônicos da cidade. Segundo o Guia da Arquitetura Art Déco no Rio de Janeiro, “a sinuosidade do estilo streamline é aqui exacerbada ao ponto das varandas adquirirem volume e se projetarem no espaço, o que é pouco comum na arquitetura aerodinâmica da época. Como também o é a assimetria do elemento vertical que assinala o acesso e se incorpora à marquise.”

Durante muito tempo o edifício foi conhecido pelo sugestivo apelido de Mae West, famosa atriz norte-americana da primeira metade do século XX, muito apreciada por suas curvas, com todo o respeito, é claro. Originalmente as varandas eram abertas, a portaria não tinha grades e o Rio de Janeiro era mais risonho e franco.

C’est la vie.

praiaidosos1
comments 2

Uma boa ideia

As praias do Rio, além da beleza, são democráticas. De fato, tirando os modismos que interessam apenas a um determinado tipo de mídia que vive de futilidades, qualquer pessoa pode (e deve) frequenta-las, sem o menor problema.

praiaidosos2A recente inciativa de um grupo empresarial, oferecendo atividades esportivas adaptadas para idosos e deficientes físicos e, principamente, usando cadeiras especiais para que a turma possa tomar seu banho de mar com todo o apoio e carinho, é muito boa e merece elogios.

O projeto chama-se “Praia para Todos” e vai até o final do mês deste mês de abril nas praias de Copacabana (Posto 6) e Barra (Posto 3). Se não chover, é só dar um pulinho por lá todos os sábados e domingos, a partir das nove horas da matina. É claro, não precisa pagar nada, é só se divertir.

Afinal, praia é nossa, não é mesmo?

projetor
comments 2

Maldição dos filmes

Carlos Emerson Jr.
(Overmundo)

Adoro cinema. Hoje em dia até que nem frequento tanto as salas de projeção mas em casa assisto tudo o que posso e o que não podia também! Afinal, nada como um bom filme em um monitor de qualidade, no conforto da nossa poltrona, de preferência com uma ótima companhia.

Mas o assunto não é exatamente cinema e sim as histórias estranhas que envolvem filmes como o americano “The Conqueror” ou “Sangue de Bárbaros”, de 1956. Produzido pelo bilionário Howard Hughes, estrelado por John Wayne, Susan Hayward, Pedro Armendáriz, Agnes Moorehead, Lee Van Cleef e dirigido por Dick Powell, conta uma história do líder mongol Gengis Khan.

As cenas de deserto foram filmadas em St. George, Utah, a cerca de 200 quilômetros do “Nevada Test Site”, local usado pelo governo dos Estados Unidos para realizar seus testes nucleares. Ao contrário de que se supunha, todos os envolvidos na produção sabiam dessa proximidade e até um contador geiger, instrumento usado para medir os níveis de radioatividade foi levado para monitorar qualquer anormalidade.

O diretor Dick Powell foi o primeiro a morrer de câncer, em 1963. Pedro Armendáriz se suicidou em 1960 quando soube que tinha um câncer renal em estágio avançado. Susan Hayward, Agnes Moorehead e John Wayne na década de 70 e John Hoyt em 1991, faleceram de câncer do pulmão. Dos 220 membros da equipe que estiveram em St. George, 91 desenvolveram algum tipo de câncer.

Não à toa o filme é conhecido como a “Maldição dos Bárbaros”.

*****

Os fãs de lutas marciais até hoje discutem as mortes dos atores Bruce Lee e seu filho, Brandon Lee, ambos em pleno estúdio de gravação. O primeiro fazia o trabalho de dublagem do filme “Operação Dragão”, em 1973, quando sofreu convulsões e dores de cabeça. Levado para um hospital de Hong Kong, não resistiu a um edema cerebral.

Logo começaram a circular teorias de que ele teria sido envenenado pela Máfia chinesa enquanto outros juravam que foi uma vingança de mestres de artes marciais em represália à revelação de segredos das lutas. Para variar, surgiram rumores de uma maldição sobre a família Lee, que acabou atingindo seu filho, em 1993.

Brandon Lee faleceu durante as filmagens do “O Corvo”, vítima de um acidente bizarro: alguém carregou indevidamente um revólver com um com um projetil de festim, ao invés de uma bala sem pólvora. O disparo, como pedia o roteiro, foi feito bem perto do peito do ator, causando perfurações em seus órgãos internos, além de partir sua coluna vertebral.

O mais tétrico é que especialistas em cinema juram que a cena da morte foi incluída no filme e apontam alguns erros inexplicáveis de continuidade para comprovar sua teoria. Será que os produtores ousariam tanto assim? Mais uma lenda do cinema.

*****

Os filmes de terror “O Exorcista”, “Poltergeist” e “O Bebê de Rosemary” são pródigos em maldições. Mortes inusitadas de atores e diretores, acidentes estranhos durante as filmagens e, no caso do último filme, uma estranhíssima associação entre a morte da atriz Sharon Stone (amiga do compositor da trilha sonora) em um ritual satânico, a música “Helter Skelter” dos Beatles (que passou a designar esse tipo de crime) e o assassinato de John Lennon (autor dessa música), na ocasião morador do Edifício Dakota, onde se passava o filme. Golpe publicitário ou não, o público adora!

E por falar nisso, o grande sucesso hoje em dia são filmes com vampiros e zumbis, não necessariamente nessa ordem. E não é que tem quem acredite que esses seres existem, vítimas de experiências com vírus desenvolvidos em laboratórios, oriundos da extinta guerra fria? Pela teoria da conspiração, esses filmes estariam nos preparando para enfrentar uma pandemia de mortos vivos, doidos para comer cérebros e sugar todo o nosso sangue.

*****

Já essa história é absurdamente real: o famoso diretor James Cameron, o mesmo de Titanic e Avatar, pretende filmar a saga do japonês Tsutomu Yamaguchi, único sobrevivente oficialmente reconhecido das duas bombas atômicas que devastaram Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial.

Parece inacreditável mas é verdade. Yamaguchi, na época funcionário do setor naval da Mitsubishi, estava em Hiroshima quando a primeira bomba explodiu. Apesar de ter sofridos queimaduras graves, conseguiu retornar no dia seguinte para sua casa em Nagasaki, que foi atingida por outra bomba atômica três dias depois.

As explosões deixaram sequelas: surdez de um ouvido, catarata, leucemia e o câncer no estomago responsável pelo seu falecimento em 2009, com 93 anos de idade. Durante todos esses anos, Tsutomu Yamaguchi dedicou-se a lutar pelo desarmamento nuclear, contando para as novas gerações todos os horrores que viu nas duas cidades arrasadas.

Aqui a realidade superou qualquer tipo de ficção!

comment 1

Posto quatro, Copacabana

postoquatro

Teatros do Sesc e da Net, a estação do Metrô, uma UPA, a padaria Guerin, Cafeína, Antonia, La Mole, The Bakers, Mondego, Marriot Hotel, C&A, Renner, Marisa, Leader, Shopping dos Antiquários, a Livraria Saraiva, os bares da Bolívar, os restaurantes da Atlântica, praia, quiosques, ciclovia, calçadão e brisa do mar. Melhor que isso só a rua sem saída, bem pertinho, onde moro.

Fotos: Google Imagens